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Resenha O Começo de Tudo – Robyn Schneider

Pegar O Começo de Tudo para ler foi uma escolha completamente aleatória. Porém que me deixou completamente satisfeita. Um romance jovem adulto de 2017, que…

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Pegar O Começo de Tudo para ler foi uma escolha completamente aleatória. Porém que me deixou completamente satisfeita. Um romance jovem adulto de 2017, que traz em suas 287 páginas tiradas inteligentes, humor, sarcasmo, amor e uma incrível vontade de encarar a vida e os problemas de frente.

O começo de tudo

Sinopse: Ezra tinha tudo para ser o rei do baile, mas isso foi antes – antes de ser traído pela namorada, antes de ter a perna quebrada em um acidente e antes de se apaixonar por Cassidy Thorpe. Ezra Faulkner era o garoto de ouro da escola até que, em uma noite espetacular, um motorista imprudente acabou com a sua perna, sua carreira no esporte e vida social. Sem o favoritismo ao posto de rei do baile, Ezra agora almoça na mesa dos losers, onde conhece Cassidy Thorpe. E chega a hora de Ezra descobrir quem verdadeiramente é. Um livro poético, inteligente e de cortar o coração sobre a dificuldade de ser o que as pessoas esperam, e sobre começos que podem nascer de finais trágicos.

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Confira a Resenha de O Começo de Tudo em vídeo

Quando eu optei por começar a ler O Começo de Tudo, eu confesso que estava passando por uma fase meio triste da vida, com fins de ciclos e relacionamentos batendo forte em minha frágil estrutura. E a leitura leve e fluida, rapidamente me tirou do “meu universo” e me transportou para o mundo de Ezra Faulkner. Que foi de um promissor tenista, alguém que “tinha tudo para ter uma carreira brilhante“, para alguém que não sabia o que fazer com a própria vida. Por que fora pego de surpresa por uma terrível tragédia que mudaria para sempre a sua vida e o faria recalcular rota.

O começo de tudo me surpreendeu em muitos níveis. Primeiro por que acreditei que seria uma leitura repleta de água com açúcar e caramelizada com um pouco de amor adolescente. E sim, temos uma pitada de amor juvenil, no entanto também temos reflexões profundas sobre a nossa visão de mundo a partir de perspectivas diferentes. Calma, deixe-me explicar para que você não fique confuso.

Inicialmente somos apresentados a um Ezra comum, um garoto que era obrigado pelos pais a jogar tênis, melhor amigo de um outro garoto chamado Toby. Dois garotos não muito populares nos anos anteriores, mas completamente satisfeitos com a amizade que tinham. Até que Toby foi atingido por sua tragédia pessoal aos 12 anos: era aniversário do menino e a mãe os levara para comemorar na Disney com outras crianças da escola quando tudo aconteceu. Aquilo, mudaria a vida e a amizade de ambos para sempre.

“Às vezes acho que uma tragédia vive à espreita de todo mundo; por isso, as pessoas que vão comprar leite na esquina ou que cutucam o nariz enquanto aguardam o sinal abrir estão a apenas alguns minutos de um desastre. Na vida de todos, não importa quão comum seja, existe um momento que se tornará extraordinário – um único embate após o qual tudo o que realmente é importante vai acontecer.”

Depois desse acidente, que os afasta a medida que ambos vão crescendo, conhecemos um Ezra completamente diferente do inicial. Enquanto Toby vive à sombra do que ocorreu no seu aniversário de 12 anos. Ezra desponta como o capitão do time de tênis. Começa a namorar a garota mais popular – e “bonita” – do colégio. Além de claro, fazer parte do grupo que senta na mesa mais vigiada dos intervalos entre uma aula ou outra. Até ser atingido por sua tragédia particular.

Como eu disse, O começo de tudo me surpreendeu em muitos níveis e o primeiro deles foi: ter acontecido dois acidentes graves logo no 1° capítulo do livro. Que claro, vão reverberar durante toda a história. Mas já nos faz começar a leitura em alerta. Por que pensamos estar lendo um romance doce e então, de repente, somos atingidos por essas duas bombas atômicas.

“Esse é o tipo de problema que a química orgânica chama de retrossíntese. Assim, tem-se uma molécula que não existe naturalmente, e é necessário trabalhar de modo retroativo, passo a passo, e averiguar como ela passou a existir, ou seja, que condições levaram à sua eventual criação. Quando se chega ao final, se tudo foi feito de forma correta, a equação pode ser lida normalmente, e torna-se impossível distinguir a pergunta da resposta.

Ainda acho que a vida – independentemente do quão comum seja – de qualquer pessoa tem um ponto trágico e único, depois do qual tudo o que é realmente importante vai acontecer. Esse momento representa o catalisador, o primeiro passo da equação. Mas conhecê-lo não leva a nada, pois o resultado é determinado por aquilo que vem depois.”

Ao reler esse trecho do livro O começo de tudo, eu percebo que à primeira vista, não conseguimos identificar do que ele está falando. Claro, ainda não conhecemos a história completa. Entretanto, à medida que conhecemos mais a história de Ezra, seus amigos e seu acidente (a sua tragédia particular) conseguimos capturar a riqueza de detalhes – e pistas – deixadas em cada frase.

Depois do acidente, tudo muda para Ezra – pelo menos na cabeça e na visão de mundo dele. Agora, Charlotte não é mais sua namorada. E ele não é mais capitão do time de tênis. Aliás, ele nem sequer pode voltar para as quadras. E vai precisar de uma dose extra de força de vontade para se (re)conhecer nesse novo mundo.

E é aqui que entra a misteriosa e inteligente Cassidy Thorpe. Uma novata na Eastwood High. Que coincidentemente é uma antiga conhecida de Toby. O antigo melhor amigo de Ezra. Que chama atenção por sua aparência única: ao contrário das líderes de torcida da escola, Cassidy prefere usar camisas masculinas e roupas confortáveis. Além de claro, seu uniforme básico serem calça jeans e tênis.

Nesse momento, Ezra está tentando entender como viverá à sombra da sua tragédia pessoal – e começa a refletir como o melhor amigo teria aguentado todos aqueles olhares discriminatórios durante todos aqueles anos. E sem perceber, acaba por se aproximar deu antigo/novo melhor amigo Toby e sua turma. Claro que escolher a turma de Debate como uma forma de fugir de seus amigos populares o ajudou a se aproximar da galera, então ele meio que junto o útil ao agradável.

Mas antes disso acontecer, Toby estava lá. O salvando como sempre da tortura que era assistir a abertura de temporada. Com todos os seus amigos antigos vivendo suas vidas normalmente. Enquanto ele estava impossibilitado de realizar seu sonho.

Após o acidente, Ezra se coloca no lugar de alguém que não se encaixa em sua antiga vida. E em partes, por que de fato, ele não se encaixava mais. Quando estava com Charlotte, Evan, Jill e sua turma do time de tênis, tinha que ser o invencível. Fingir que estava tudo bem, que era o mesmo garoto popular de sempre. Enquanto que quando estava com Cassidy, com Toby, Phoebe, Austin, Sam e até Luke podia ser o nerd. Podia ser engraçado e inteligente.

Frequentava sessões secretas de filmes, dançava em um flash moob, uma rave silenciosa. Aproveitava os fogos de artifícios da Disney. Ele poderia ser quem quisesse, inclusive ele mesmo. E isso foi muito importante para Ezra parar de sentir pena de si mesmo. E de aceitar menos do que merecia receber.

Agora, uma coisa que ficou um pouco confusa pra mim: depois do acidente, Ezra fica esperando o momento, quase que ansiando por isso, em que os amigos antigos o ridicularizaria. Por conta da sua nova condição. E a cada convite para jantar, para se sentar na mesa do grupo, parece uma nova oportunidade de ser a piada do grupo. Só que isso não acontece. O tempo todo, os antigos amigos de Ezra o trata da mesma forma de antes. E eu entendo que ele está magoado, afinal ele sofreu um grave acidente e ninguém foi visitá-lo no hospital. Mas isso acaba criando uma barreira gigante entre eles.

Eu também gostaria que a autora de O começo de tudo tivesse explorado mais a amizade do novo grupo de Ezra, por que eles são muito engraçados quando estão juntos. Mas ela optou por focar a maior parte do livro no relacionamento dele com Cassidy e Charlotte.

Da construção dos personagens, eu gostei muito de Toby, Ezra e até da Phoebe. Fiquei um pouco na dúvida em alguns momentos sobre quem era o Sam, o Jimmy e a Jill – risos. E não gosto muito da Cassidy. Eu realmente não entendo essa fixação dos autores de construírem uma anti-heroína sarcástica e difícil de engolir. Em muitos momentos torci pro Ezra dar um pé na bunda dela.

Também achei o final um pouco corrido, conforme eu ia passando as páginas ficava com aquela sensação de: “Mas não vai dar tempo de terminar a história“.

De modo geral, eu gostei muito de O começo de tudo. E apesar de não ter exatamente um final “esperado”, teve um final real. E isso me agradou bem mais.

Terminei O começo de tudo com a sensação de que estava lendo uma história que poderia ter realmente acontecido. E com a vontade de saber mais sobre como seguiu a vida de Ezra, Tony e Phoebe.

Leia também: Resenha Ladrão de Almas, de Alma Katsu

Você já leu O começo de tudo? Me conta aqui nos comentários o que achou do livro. Se não, me diz se a nossa resenha despertou a sua curiosidade.

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